segunda-feira, maio 25, 2015

Falar tudo, sempre

Pastora ANA CASTRO
Ontem a noite, assistia eu a um culto na Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Caminhando com Jesus, em nossa cidade, dirigida pela Pastora Ana Castro e seu esposo Marcos Castro. Na verdade, nesse domingo, foi o encerramento de uma campanha com a Missionária Mirian e seu esposo, ambos da cidade de Santa Maria. 

Contudo, ouvi da Pastora Ana Castro uma mensagem extremamente reconfortante e com a qual identifiquei-me muito. Dizia ela que devemos falar toda a Verdade, sempre, sem medo de ocultar nada em nossas vidas. Mesmo as revelações mais desabonadoras acerca de nossas próprias identidades, devem ser colocadas, publicamente, sem receio de sermos julgados, sem medo de acusações e de eventuais rótulos. 

A verdade deve vir em primeiro lugar para quem tem compromisso com a Fé e com a Divindade. 

Ouvindo suas palavras, inclusive do relato de doença contraída e, posteriormente, curada pela Graça de Deus, não pude fugir da auto-análise, pois ela falou exatamente o que eu penso e a razão de expor tantos fatos crus em meu blog, alguns deles, chocantes, negativos a minha própria imagem, mas que nem por isso optei por sufocar a realidade que os cercam.  

A gente sempre está aprendendo coisas novas e essa posição da Pastora Ana, para mim, foi a primeira vez que ouvi isso de uma autoridade eclesiástica. 

Lembro-me que o colega Paulo Bandeira, Advogado, Amigo, conversando pelo facebook comigo, disse-me que não teria a coragem de expor tudo o que expus, num relato sobre aspectos dramáticos que marcaram minha vida no ano passado e envolvia minha separação. Entretanto, nem de longe pensei em coragem, apenas relatei os fatos exatamente como tudo aconteceu, sem tirar e nem botar acontecimentos. É claro que tudo conspirou contra mim, mas nem por isso, omiti a verdade real. Assim, colocar tudo para fora, sem sofismas, sem subterfúgios, sem paralogismos, é um descanso para nossas almas, embora a repercussão, muitas vezes, negativa. Mas esse é o custo do compromisso de quem não tem nada a esconder. 

Dessa forma, entendi o valor das palavras da Pastora Ana Castro, concordei 100% com ela e mais, se todos nós optarmos pela verdade crua, doa em quem doer, seremos mais livres, compromissados ao extremo com a Dignidade e vivendo cada vez mais longe da roda dos escarnecedores (Salmos de Davi 1.1). 

Uma mensagem proferida nessa dimensão é o que existe de mais enriquecedor para nossas almas, atropela o medo de vivermos nos podando, gera a liberdade, faz-nos mais fraternos e aproxima-nos mais de Deus, de Cristo e do Espírito Santo. A pior coisa que existe nessa vida é vivermos sufocados, sem direito à liberdade de expressão, mesmo que a censura parta das instâncias morais. 

Essas instâncias, aparentemente invisíveis, materializam-se na emissão de juízos e ganham forma na expressão da fofoca, do disque-disque, da calúnia e da difamação. Sei bem o que é enfrentar a roda das escarnecedoras, das pessoas não assumem seus próprios atos. Assim, precisam inventar culpados pelos seus descaminhos, transformando as vítimas de suas maldades em agressores e transgressores. 

A vida é um constante aprendizado. Saí do culto, ontem, com uma convicção formada; profundas foram as palavras da Pastora Ana, sérias e de uma singularidade ímpar no contexto da vida em sociedade e na vida espiritual de cada um de nós. Não sei se todos foram tocados pela mensagem, mas - em mim - houve uma repercussão extremamente positiva, tanto valorei o assunto e julguei ser de utilidade para um discussão mais ampla, afinal ela vem na contramão do abafa tudo, das verdades sufocadas e das omissões.

Creio que me encontrei em Santiago, pela primeira vez. Estou feliz por tudo. Quis Deus, certamente, que eu encontrasse essas abençoadas pessoas, que falam a Verdade e não têm outras intenções em suas vidas, senão a pregação escorreita da Palavra de Deus. 

OAB-RJ quer proibir bicicletas, por Paulo Bandeira*

A OAB do Rio de Janeiro montou uma comissão de emergência e sugere que seja proibido o uso de bicicletas. Isso é um ABSUUURDO!!!

Não seria mais inteligente que os mesmos pretensos estudiosos das leis sugerissem algo mais eficaz, como por exemplo: uma mudança no sistema penal brasileiro? Não falo dos códigos, mas do sistema, da forma como se encara o crime e da negligência dos brasileiros quando se trata da necessidade de reconhecer que nossos sistema estimula o aumento da criminalidade? 

Ora, aprendi em aulas memoráveis do Dr. Luiz Antonio Barbará Dias o que significa coerção e se há algo que não é coercitivo é o sistema penal brasileiro. Precisamos que o bandido tenha medo da Lei, que tenha medo da polícia, que os criminosos saibam que ao cometerem crimes serão PUNIDOS DE VERDADE!

Não é por ser Advogado que vou ser hipócrita dizendo que as leis são eficazes, pois elas não o são! O preso no Brasil nada mais é do que um vagabundo patrocinado pelo sistema penal. Deveria ser determinado que os presos trabalhassem pesado, auxiliassem na construção das estradas, na manutenção dos esgotos, na construção de hospitais, creches e escolas. 

Os presos deveriam ser submetidos a um regime especial, deveriam servir o Brasil sem remuneração e sem remissão de pena.

Chega de hipocrisia, já que o preso não pode ser considerado útil à sociedade, que então seja útil ao Brasil, mas definitivamente deixe de ser um inútil tratado a "pão de ló".

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* Advogado, Escritor e Radialista

Um shopping-center dentro da câmara federal, por Emir Sader

Depois de fazer aprovar uma série de iniciativas na Câmara, Eduardo Cunha se sente dono da Casa e capaz de passar qualquer proposta. Já há algum tempo, antes que estivesse envolvido na Lava-Jato, ele tinha decretado a concessão de passagens de avião para as esposas dos deputados. Diante da reação negativa generalizada a mais esse privilegio dos parlamentares, Eduardo Cunha teve que recuar e a suspendeu.
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Agora ele volta à carta com uma medida ainda mais despropositada: a construção, por um valor calculado de um bilhão de reais, de um shopping center na Câmara de Deputados. A aprovação foi rápida, com a oposição apenas do PT, do PC do B, do Psol e do PDT.
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Nada mais simbólico do que instalar um shopping-center em um Congresso eleito pelo poder do dinheiro, controlado pelos lobbies dos grandes negócios. O shopping-center é a utopia neoliberal, o resumo de como eles gostariam que fosse a sociedade: só consumidores comprando mercadorias das grandes marcar globalizadas. Um mundo em que tudo é mercadoria, tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra.
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O shopping-center da Câmara – se chegar a ser instalado, com todas as dúvidas que pairam sobre que se tolere que exista – representa a continuidade, sob a forma de lojas, de grifes, - do toma-cá-dá-lá que impera no Congresso e de que Eduardo Cunho é o grande gerente. Se decide, se vota, de aprova, como quem entra em uma loja de uma grande marca globalizada e se arrematam mercadorias. Se paga com cartões de crédito, se pechincha os preços, se aproveitam liquidações. Eduardo Cunha pretende instaurar uma continuidade linear entre o plenário sob sua presidência e o desfile de marcas e suas ofertas.
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O Cunha-shopping é um acinte. É a demonstração de que o presidente da Câmara pretende fazer o que pretenda dessa Casa, rebaixando-a a níveis como nunca haviam sido atingidos, fazendo com que chegue a um nível tal de degradação, de que o próximo passo seria instaurar um cassino, com roleta e tudo. No Shopping desaparece tudo o que é local, substituído pelas marcas globalizadas. No Shopping não se encontram pobres, cidadãos, apenas consumidores com grande poder aquisitivo.
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Os Shopping não costumam ter janelas, para fechar-se sobre si mesmos, fazendo abstração da sociedade real que fica do lado de fora. O Shopping é todo feito em função da compra e da venda, a circulação por seus espaços é adaptada a isso.
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O Congresso parece espelhar nos Shopping-Centers o seu funcionamento atual.  Atende os grandes interesses econômicos, privilegia o anti-nacional, faz abstração da sociedade real, se fecha sobre si mesmo, sem janelas para o mundo real. Só pretende responder às grandes marcas, às grandes empresas, aos interesses globalizados.
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Mas entre tantas incertezas sobre o que passará no Congresso, esta é a maior delas. Apesar de aprovada na Câmara, a construção do Shopping-Center ainda vai ter que passar por várias provas. A primeira, a rejeição da opinião pública. Isso aconteceu com as passagens para as esposas dos deputados, sobre o que Eduardo Cunha teve que retroceder.
Caso passe por esse primeiro obstáculo, virão os outros: construção, inauguração e aí, caso chegue até esse momento, o maios obstáculo: o funcionamento. Vai ser objeto do repúdio da cidadania, do boicote, dos rolezinhos, das ocupações, das manifestações, até torná-lo inviável.
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O Cunha-Shopping seria mais um passo no processo de mercantilização do Congresso, de gastos indevidos e acintosos em relação ao momento que vive o pais. Não passará.
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Fonte - Revista Carta Capital

Entenda o que é Alienação Parental, artigo de Carla Moradei Tardelli

Amores chegam ao fim, casais se separam, filhos tem que aprender a viver com o desfazimento dos laços que mantinham os pais unidos.
Acontece com frequência, nas melhores e nas piores famílias. Nas piores, e aqui falamos de famílias pouco preparadas emocionalmente, recaem sobre os filhos as mágoas e ressentimentos que contribuíram para o fim da relação.
A alienação parental sempre existiu. Um dos pais, geralmente o que se sentia abandonado por aquele que tomou a decisão de por fim à convivência conjugal, passava a manipular os filhos para que estes se afastassem e, até mesmo, odiassem aquele que havia deixado o lar comum.
Hoje, nomeada e matéria de lei (Lei 12318/2010), a alienação parental vem sendo discutida até mesmo pela grande mídia, tornando evidente a absurda crueldade perpetrada contra pais e filhos, na tentativa do guardião em afastá-los como forma de punição e vingança pelo “abandono” daquele que foi, e muitas vezes ainda é, seu objeto de amor.
Inicialmente sutil, o alienador procura desmerecer o outro genitor diante dos filhos, menosprezando-o e tornando evidentes suas fraquezas, desvalorizando suas qualidades enquanto pai e ser humano. Aos poucos, vai se tornando mais ostensivo, impedindo o contato e rompendo os vínculos entre o alienado e os filhos.
Sendo a guarda deferida usualmente às mães, são as mulheres as maiores alienadoras. Alguns comportamentos são comuns e demonstram o grau de perversidade do alienador: impedimento de visitas, omissão de fatos relevantes da vida da criança, criação de histórias pejorativas sobre o alienado, mensagens contraditórias que deixam os filhos receosos na presença do pai/mãe alienado, ameaças de abandono caso a criança goste dele e de sua companhia.
As consequências à saúde física e mental das crianças que vivem sob a tortura de um pai alienador são muitas, entre elas os distúrbios de alimentação, a timidez excessiva, os problemas de atenção/concentração, a indecisão exacerbada e, até mesmo a drogadição, como forma de fuga de uma realidade massacrante e com a qual não conseguem lidar.
O art. 3º da citada lei explicita as consequências danosas às crianças e adolescentes envolvidos na dinâmica alienante, entre elas os riscos a um desenvolvimento global saudável, uma vez que seu direito à convivência com ambos os genitores é desrespeitado por um deles.
A alienação parental é, em si, um fator desestabilizante, que prejudica o desenvolvimento dos filhos envolvidos, bem como também o alienado e o alienador, impedindo que prossigam com suas vidas e elaborem o luto pela separação.
A importância de se falar sobre o assunto, expô-lo ao grande público ajuda a trazer alguma racionalidade sobre um comportamento tão pouco debatido até alguns anos atrás, quando pais e filhos eram afastados e não se percebia, nitidamente, a participação do genitor guardião nesse esgarçamento de vínculos tão importantes.
No entanto, é necessário que se tenha cuidado com a banalização da questão. Por estar sendo discutida em novelas, programas vespertinos, revistas femininas, pode-se usar um quadro grave e complexo de maneira leviana, atribuindo a um pai/mãe preocupado com atitudes verdadeiramente prejudiciais a seu filho, o estigma de alienador.
A alienação é o extremo da perversidade. É o desprezo pelo outro, a necessidade de vingança pelo desamor, destilado através de crianças e adolescentes, que se tornam verdadeiros instrumentos de ataque àquele que decidiu seguir sua vida sem a companhia do alienador.
Ao ser trazida para o campo legal, a alienação passa a ter um enfoque não só psicológico, mas também jurídico. O pai guardião, pode, se constatada a alienação, sofrer sanções graves, inclusive com a inversão da guarda previamente estabelecida e a suspensão da autoridade parental, como disposto no art. 6º.
Portanto, antes mesmo de se falar em alienação parental é preciso que se conheça não só o conceito do instituto, como também suas consequências jurídicas. Há que se ter cautela quanto à alegação de forma indiscriminada quanto à ocorrência da alienação parental, para que essa não se torne uma bandeira ou argumento de vingança de casais em litígio.
Carla Moradei Tardelli - Fonte/ JUS BRASIL


Das crianças e seus sentimentos

Nesse domingo, cumprindo o ritual que me é imposto, viajei até Maçambará para deixar minha filhinha na casa dos avós. Foi uma viagem extremamente boa, diria até: maravilhosa. Nina, minha amada filhinha, deixou-me cheio de emoções, de sensações positivas e amor transbordante. Não sei como são os demais pais, mas mal entendo como posso amar tanto uma pessoa como amo Nina. 

No caminho, na entrada do trecho de chão, pedregulho horrível, paramos num cemitério abandonado, com velhos túmulos, cerca de pedras ... mas não paramos pelos túmulos, descobrimos que nessas cercas de pedras existem centenas de lagartixas extremamente diminutas e a festa da Nina é vê-las correndo. "Olha pai, olha pai, o tamanho daquela, que amoooorrrr". É claro que a quantidade exagerada de lagartixas deve ser fruto do desequilíbrio ambiental, as lavouras ao redor, os agrotóxicos, imagino que elas encontraram guarida dentro do cemitério, isso pode explicar a conglomeração.  

A entrada no trecho de chão, Nina sabe que nosso tempo junto está terminando. São 21 km de despedida. Como se ela lesse meus pensamentos, abraça-me o tempo todo, beija-me e beija-me. Não consigo contar quantos "eu te amo" ou "como eu te amo papai". No trajeto, para compensar a falta, eu traço planos para a próxima semana. Nina encantou-se com uma amiga nova e deixou um desenho para a ela. E ainda recomendou-me: "não vai esquecer do desenho da Bruna". 

Tanta amabilidade, tanto carinho, tanto afeto. Embora eu nunca tenho aceito à condição de viver longe de minha filha, especialmente pela sua pouca idade, reconforta-me muito notar que a edificação amorosa que construí, ao longo dos primeiros anos de vida dela, continuam intactos. Talvez até mais sólidos devido às barreiras que nos impuseram; e, é claro, graças ao bom Deus, pois tenho orado de forma permanente pela sua vidinha, pelos sentimentos, que o aconchego divino compense a ausência dos pais. 

Nesse final de semana, mais uma vez, pude notar o quanto as crianças são marcadas pela ruptura do pais. Curti uma foto da professora Silvana de nossa turma do pós em Letras. A foto, foi parar no meu álbum, no face. Na foto, apareço eu com a mãe da Nina e os demais colegas da turma. No meu colo, Nina percebe que eu vou tirar a foto, como de fato tirei. Imediatamente, ela se mete: "tu vai apagar pai, tu não ama mais a mãe? Hein pai, tu não ama mais a mãe"?  Notei que para ela é importante o amor, e dado a insistência em tom de cobrança, tive a percepção de mentir para não matar a ilusão prematura de seus sonhos.    

Logo, fui assaltado pela lembrança da cena mais chocante de minha vida de pai, que aconteceu no ano passado. Como Nina adora vascular as fotos do meu computador, de repente ela encontra uma foto que tiramos de despedida do ano de 2013, eu, ela e mãe dela. Nina fixa na foto e começa a chorar. Ao longo, ouço seus soluços e levo um susto, corro até meu birot. Ela está inconformada e pronuncia balbuciando: "isso nunca mais vai acontecer", referindo-se a nós três juntos. Ouvir aquilo, cortou-me tão profundamente, que ainda hoje, quando lembro-me da cena, choro o choro mais pesado e amargo de toda minha vida. Eu não posso voltar atrás ... sou escravo do tempo, sofro junto com ela, tenho ciência da dor. 

Desde que comecei a viver uma relação de troca de experiências com pais na mesma situação, especialmente a partir do nosso Instituto, descobri o óbvio e percebi o quanto fui ignorante e estúpido toda minha vida, posto que nunca parei para refletir sobre o drama e os sentimentos dos filhos de pais separados. Essa questão é cruel e, hoje, rendo-me totalmente as construções discursivas do Evangelho e a importância de os filhos serem criados com amor paterno e materno. Todos os pais com quem tenho conversado, nas reuniões on line, são unânimes em afirmar que seus filhos e filhas nunca aceitaram a separação. É claro que o perfil dos pais que integram essa confraria familiar é bem acima da média. São pessoas que interessam-se pelo Tema, leem, estudam, refletem, produzem textos, interagem com pais de outros Estados, organizam seminários, encontros estaduais, nacional e, agora, até internacional. 

Mas o que fazer? A realidade é dura e o drama de um pai ou de uma mãe é sempre o mesmo e a opção que se apresenta, a luz da legitimidade social, e da própria legalidade, é a separação e o divórcio. Existem situações em que a incompatibilidade ganha um corpo de tal magnitude que convivência torna-se insuportável. É claro, que esse enfoque é preso a uma tendência mais dionisíaca dos pais, que tratam os filhos como se esses não tivessem o apego, o amor e afeto por ambos. No momento em que cada um sai para um lado, seja na circunstância que for, as maiores vítimas serão sempre os filhos, vítimas silenciosas, que muitas vezes não sabem sequer exteriorizar sentidos e sentimentos. A criança apenas guarda esse conjunto de sentimentos, de dores não manifestadas e de frustrações ... os reflexos sempre vêm na fase adulta, nisso a literatura psicanalítico-infantil e adolescente é quase unânime. 

Hoje, reconheço o quanto a Igreja Católica foi sábia e mesmo as evangélicas, embora mais tarde, ao posicionarem-se, ambas, contra o divórcio e pela insistência do vínculo da unicidade familiar. 

Sou contra qualquer tipo de julgamento ou da emissão de algum juízo apriorístico sobre A ou B pessoa. Apenas e tão somente analiso o assunto de forma genérica, ampla, embora eu, pessoalmente, seja parte direta de uma família desestruturada e também culpado direto pelo fracasso e pela dor de uma inocente, porém, ciente dos erros e da extensão dos danos, tento extrair uma lição social, dentro de uma perspectiva humanizante, incitando uma reflexão para todos os pais. Em especial, pela importância do amadurecimento da ideia antes de se gerar um novo ser. Nesse contexto, emerge a força das religiões, seja como elemento catalizador do elo familiar, seja como ente repudiante ao aborto, seja como veículo capaz de refletir acerca da destruição da família tradicional nos dias atuais.

Enquanto escrevo, socializando minha reflexão, psicanalizando-me, descubro-me um ser complexo e em constante mutação. Ademais, tenho ciência que muitos não conseguem acompanhar a evolução do pensamento humano na velocidade da telemática e em plena era nuclear. Contudo, em meio ao avanço científico e tecnológico da humanidade, ainda não encontramos uma saída razoável no campo das relações interpessoais, pois a dor dos filhos e filhas anda como no tempo das tipografias, seus choros sufocados e lágrimas perdidas pelos cantos, e as separações e dissoluções de uniões conjugais andam na velocidade tebibyte. E o que é pior, sei que nem a Sociologia da Família tem um diagnóstico claro acerca deste Tema e sua necessária multidisciplinaridade.

O mais, é fazer planos para o próximo final de semana. Talvez o muro de pedras do abandonado cemitério e seu povoamento de lagartixas, talvez a cama elástica do casa dos brinquedos, um pastel no Batista, uma caixa de lápis de cores, folhas brancas para serem desenhadas ... tintas, traços, sintomas, laços que unem, laços que separam, cultos abençoados, esperança e fé em Deus, não podemos mudar o presente, talvez o futuro seja diferente: do óbvio que representa o vir-a-ser. 





Advogado Décio Itiberê e suas considerações sobre minha pessoa

"Tu és um cara fantástico, tiras de letra as vicissitudes da vida. A tua postura é extremamente admirável, o teu amor pela tua filha é algo incomensurável. Tu és um exemplo de vida, de superação, de dedicação. Um colega altamente capacitado, culto e ético. Força total para você, sempre estou torcendo que assim."

Advogado Décio Itiberê

domingo, maio 24, 2015

Nanotecnologia

Israel: nanotecnologia
pode substituir a quimioterapia


A equipe de pesquisa do Instituto de Tecnologia de Israel (Technion) descobriu uma forma de melhorar a difusão de drogas para tumores usando partículas de silício poroso nanoestruturado (PSi) – em vez do gotejamento intravenoso –, um método que está surgindo como uma nova e promissora plataforma para a aplicação de medicamentos. No futuro, o PSi pode ser usado no tratamento de câncer, potencialmente oferecendo uma alternativa à quimioterapia tradicional, conhecida por seus efeitos colaterais adversos.
De acordo com Ester Segal, do Technion, que lidera o estudo conjunto com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Escola de Medicina de Harvard, os materiais de silício poderiam revolucionar os tratamentos de uma forma inédita. “Os contêineres de silício “poderiam transportar as drogas por um longo período de tempo, de semanas ou até meses, algo que nenhum mecanismo de quimioterapia pode fazer atualmente”, afirmou.
Em um estudo separado, cientistas da Universidade de Tel Aviv recentemente descobriram uma estratégia que cessaria a proliferação de células tumorais do cérebro com nanopartículas semelhantes. “É um mecanismo básico e elegante e muito menos tóxico que a quimioterapia”, explicou o professor Dan Peer, da Universidade de Tel Aviv, em um comunicado. Esses trabalhos destacam a importância desses estudos para o desenvolvimento bem-sucedido de materiais de biodifusão de medicamentos que terão benefícios terapêuticos no futuro próximo.

Fonte - ALEF-NEWS

sábado, maio 23, 2015

DANO EXISTENCIAL

Uma simples reprodução de uma decisão do TRT4, condenando uma reclamada a indenizar a reclamante em Dano Existencial, teve o condão de incitar uma forte curiosidade. Tenho uma turma grande de estudantes do Direito, de vários municípios da região, que interagem comigo. E a reação foi imediata. Muitos surpresos por nunca terem ouvido falar em tal dano. Um amigo, cujo nome vou declinar de citar, foi mais longe e escreveu: "eu até achei que era gozação tua ... só depois de ler a matéria, foi para o Doutor Google e vi o quanto estava defasado. Se cai uma questão dessas no exame de ordem, somos fortes candidatos à reprovação"

Acostumados que estamos ao dano moral e material, que nos esquecemos desse importante dano, que é o dano existencial. Vivendo a aprendendo.

Para ler a matéria completa, clique aqui.

Nina e os meus finais de semanas. Um a mais em nossas vidas

Ainda ressentindo-me do problema que afetou minha visão, ontem busquei minha filhinha para passar o final de semana comigo. Que docinho essa minha filha. Recebe-me sempre de braços abertos e depois tenho direito à comemoração com longos abraços e beijos demorados. Mal entendo como essa criança consegue ser tão amável, tão querida e tão carinhosa. 

Entra no carro, depois do ritual mata-saudades, e já lembra da Escolinha da Graça, que é Escola Infantil da Igreja Internacional da Graça da Deus, do Pr. RR Soares e aqui em Santiago dirigido pela Pastora Gisele. Eu não conhecia essa Igreja e fomos conhecê-la por intermédio da nossa amiga Advogada Carla Albuquerque. A Nina se seduziu de uma forma toda especial pela Escolinha, pelas brincadeiras, estudos bíblicos infantis e pelos pastéis do final de culto. Com o exemplo familiar, cheguei a uma conclusão acerca da importância das Escolinhas infantis nas igrejas evangélicas, pois além de criarem-nas na educação bíblica, com o repasse de valores cristãos-judaicos, é altamente relevante o entrosamento infantil e a pressão que essas exercem sobre os pais pela presença no culto. Não sei se com todas crianças acontece isso, mas esse é o meu caso. E outro aspecto relevante dessas escolinhas, é que as crianças não ficam em casa ou sob os cuidados de terceiros, elas aprendem a rotina e criam-se, desde tenra idade, sob o manto das escrituras. E não venham me dizer que crianças não compreendem a palavra de Deus, elas sabem muito bem o valor do amor aos pais, do carinho, do afeto e da presença de juízos morais relativos ao campo ético infantil e aos mandamentos bíblicos. E não são todas as Igrejas que têm essa percepção. Para muitos, a criança é descartável, sem maturidade para a compreensão das coisas divinas. Nesse caso, o interesse maior é restrito ao adulto. 

Nina tem uma maturidade quase inacreditável para seus 4 anos. Ela sabe que eu sou sozinho e passa o tempo todo me consolando. Primeiro, sempre me promete, quando casar-se, morar comigo ... e que meus netos também morarão comigo (só não sei se chego até lá). Segundo, ela passa o tempo todo querendo me arrumar alguém. Hoje pela manhã, sai comprar um casaco para ela e algumas peças de roupas quentes ... a viração e o clima frio determinaram nossa escolha. Vendo as roupas de bebê, saiu-me com essa pérola: "essas aqui são para meu irmãozinho". Ponderei que não terei mais filhos, talvez irmãos pela parte da mãe dela, ao que ela respondeu taxativamente: "não papai, faz um, só não casa..." A moça da loja ficou rindo do pragmatismo dela. Precisei sair da loja explicando que a gente não faz filhos para depois abandoná-los. Nesse aspecto, ela está precisando de uma boas lições bíblicas. Mas sei que tudo isso é uma ânsia, manifestação pura de amor pelo consolo, por saber da minha condição de vida sozinho. Mal consegue captar a dimensão do meu amor por ela e o significado desse amor em minha vida. Não me vejo pai de outra criança. 

Ontem, esperei pacientemente pela Escolinha. Depois, fui para um outro culto, prestigiar um casal de Missionários, de Camobi, Santa Maria, que estavam pregando na Igreja Evangélica Assembléia de Deus Caminhando com Jesus, da Pastora Ana do Pastor Marcos. A campanha estende-se até domingo, embora os cultos sejam somente às quintas e domingos. Nesta igreja, afora um abençoado culto, a Nina fez amizade com uma moça, a Bruna, e ficou nuns grudes com ela. Engraçado como ela se dá bem com certas pessoas. É um contato imediato. Ainda hoje pela manhã ela lembrou-me do culto à noite e da Bruna Brum. A rigor, sequer sabia que teria essa campanha dos Missionários. Um pouco antes de buscar Nina Mello Prates, conversando brevemente pelo face com a amiga Karine, terminei sabendo dessa campanha abençoada. Curiosa situação, eu já tinha procurado pela Dra. Karine Peixoto na condição de médica, mas desconhecia o fato de frequentarmos a mesma Igreja até então. E, da mesma forma, a Pastora Ana, conheci-a numa situação também curiosa; ela veio orar pelo Flávio Medeiros, adoentado, e fez-me um convite para conhecer sua Igreja. Fui uma vez, a título de cortesia, porém, gostei muito do ambiente, do carinho das pessoas, da amabilidade e - sobretudo - da presença forte de Deus, muito forte. Trata-se de uma Igreja muito abençoada, mas muito mesmo. Não sei se a pessoalidade tem a ver, mas notei muita sinceridade nos irmãos e irmãs dessa Igreja, parece-me um pessoal muito ungido, abençoado, fraterno. 

A tarde desse sábado, uma amiga nossa, a Cristiane, enfermeira, convidou a Nina para uma festinha de aniversário na casa dos brinquedos. E que festa, das 14 as 18 horas. Deve chegar exausta. Mas que bom, que queime energias pulando na cama elástica, a Nina está com um sobrepeso assustador. 

Assim é vida aqui em Santiago. Todas as sextas-feira, as 17 horas, busco minha filhinha em Maçambará, onde ela está com os avós maternos. Domingo, sempre, devolvo-a no mesmo horário. Sofro muito com as despedidas, mas alimento-me e conforta-me saber que uma sexta-feira sucede a outra. Nosso lar foi destruído, nossa casa e o ambiente onde vivemos, desde que Nina nasceu, foi para o espaço; por tudo, esforço-me para continuar sendo um bom pai, compensando a dor que eu sei que ela sente. Mas Nina é muito brava, guerreirinha desde tenra idade; lembro-me dos momentos mais críticos dessa traumática ruptura, quando eu não conseguia controlar as lágrimas, essa incrível criança enxugava minhas lágrimas e ainda me cutucava: homem não chora paizinho

Eu pensava erroneamente que poderia viver com ela todos os dias até a mocidade e sua maturidade para a vida e para o mundo. É claro, o destruidor foi mais forte, sofri a maior derrota da minha vida; hoje, consolo-me em ser pai de final-de-semana. Não pude realizar meu sonho de fazer seus temas todos os dias e nem acompanhar de perto seu crescimento. Mas Deus sabe o que faz, Deus conhece minha alma, Deus sabe bem o pai que eu fui enquanto ela esteve ao meu lado permanentemente, por isso, oro por Nina na distância e pelo conforto de nossas almas. Nosso vínculo será Eterno!




Convite Recebido

sexta-feira, maio 22, 2015

Silêncio Obsequioso

Silêncio obsequioso
 
                                             *João Baptista Herkenhoff
 
Para o escritor, o poeta, o filósofo, o teólogo, para todos aqueles cujo trabalho é pensar, o direito de exprimir o pensamento é uma consequência do ato de pensar.
Da mesma forma que o passarinho gorjeia, o peixe nada, o macaco pula de um galho a outro, o pensador pensa. Suprimir do pensador o direito de pensar é tão violento quanto suprimir do passarinho o gorjeio, do peixe a travessia através das águas, do macaco os saltos na floresta.
Por este motivo não existe, em relação a um pensador, filósofo ou teólogo a imposição de uma recomendação ou pena de silêncio que possa ser adjetivado como sendo obsequioso. Silenciar o pensamento jamais será um obséquio, uma gentileza. Mais fidedigno será, a meu ver, punir o pensador, filósofo ou teólogo dissidente com a penalidade do silêncio puro e simples.
Os inquisidores do passado não usaram meias palavras para a condenação. Utilizaram o vocábulo cru para designar o discordante: herege, blasfemo, profanador, apóstata.
A Filosofia, a Teologia, a Ciência não avançam através da concordância, mas sim pelos caminhos da contestação, do debate.
Sublime dom humano este de pensar, refletir, buscar a verdade, ainda que algumas vezes o titular deste dom se transvie, erre e siga rotas enganosas.
Aristóteles enunciou a lei da não-contradição, nestes termos: “Não se pode dizer de algo que é e que não é, no mesmo sentido e ao mesmo tempo.”
Não obstante a advertência aristotélica, é raro que uma doutrina, em qualquer campo, contenha a totalidade do justo, do bom, do verdadeiro. Mais comum é a presença parcial do certo. Frequentes vezes no bojo do erro está a semente da verdade. Em muitos episódios da História, o acerto foi precedido de equívocos.
Não apenas na Filosofia, na Ética e na Teologia temos de conviver com desacordos, dissidências, dissentimentos. Também no campo das ciências os sábios interpretam de forma conflitante os fenômenos observados.
Deus, ao criar o homem, atribuiu-lhe inteligência. Portador da capacidade intelectiva, os homens erraram e acertaram. Não foi projeto divino o ser humano previamente construído para acertar sempre. Quis o Criador a criatura livre, tão livre que pudesse até mesmo negar e contestar o Ser que o criara.
Escrevo este texto valendo-me da capacidade de pensar. O que está exposto aqui pode conter um pouco da verdade, ou nenhuma verdade. Verdade integral não pode estar presente nestas linhas. Afirmar o contrário, pretender que nenhum reparo deva ser feito ao que estou escrevendo, seria uma incoerência à face do raciocínio seguido por esta reflexão.
 
*João Baptista Herkenhoff é juiz de Direito aposentado (ES), professor e escritor. E-      mail: jbpherkenhoff@gmail.com
 

Justiça do Trabalho mantém penhora de imóvel residencial utilizado por devedor trabalhista

Mantida penhora de imóvel de R$ 1,9 milhão utilizado como moradia por um devedor trabalhista
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"Diante da natureza alimentar do crédito trabalhista, não é razoável que se mantenha o executado na posse de um imóvel suntuoso apenas sob a alegação de que se trata de bem de familiar". Com este entendimento, a Seção Especializada em Execução (SEEx) do Tribunal regional do Trabalho da 4ª Região (RS) manteve a penhora de um imóvel de R$ 1,9 milhão. O bem é propriedade de um dos sócios de uma empresa de engenharia, condenada em um processo trabalhista. 

Os desembargadores, no entanto, determinaram que R$ 400 mil fossem reservados para garantia da moradia do executado, já que o imóvel é utilizado como residência.

A penhora havia sido contestada em primeira instância sob as alegações de que o imóvel é impenhorável por ser bem de família e utilizado como moradia. Entretanto, conforme o reclamante, o sócio é proprietário de mais de um imóvel, o que tornaria dispensável a proteção do bem usado como residência definida pela Lei 8.009/1990. O juízo da 1ª Vara do Trabalho de Esteio concordou com as alegações do devedor. Segundo o entendimento, o fato do sócio ser proprietário de mais de um imóvel não afasta a impenhorabilidade referente ao único imóvel utilizado como moradia. Descontente com esta decisão, o reclamante recorreu ao TRT-RS.

Situação peculiar

Segundo o relator do agravo de petição trazido à SEEx, desembargador Luiz Alberto de Vargas, a Lei 8.009/1990 tem por objetivo resguardar a dignidade dos membros de uma família, ao preservar o imóvel utilizado como residência e repositório dos bens familiares. Entretanto, para o magistrado, a situação dos autos é peculiar, por tratar-se de um imóvel de valor expressivo (quase 2 milhões de reais). No entendimento do relator, não seria razoável preservar uma propriedade  suntuosa e que poderá ser utilizada na satisfação de um crédito de natureza alimentar apenas por ser um bem de família.

O relator ressaltou ainda que, de qualquer forma, documentos juntados ao processo comprovam que o sócio é proprietário de outro apartamento, na cidade de Canela, e que ele conta com a opção de pagar o débito trabalhista e retirar a penhora. Em dezembro de 2013, o valor devido pelo reclamado era de R$ 125 mil.

Neste contexto, o desembargador optou por manter a penhora do imóvel, mas determinou a reserva de R$ 400 mil para garantir a moradia do reclamado e sua família. O entendimento foi seguido pela maioria dos integrantes da SEEx, sendo apresentadas divergências das desembargadoras Lúcia Ehrembrink, Maria da Graça Ribeiro Centeno e Ana Rosa Pereira Zago Sagrilo. No entendimento destas magistradas, a Lei 8.009/1990 não faz menção a valor do imóvel protegido contra penhoras, desde que este seja utilizado como residência da família.

Fonte: Juliano Machado - Secom/TRT4

quinta-feira, maio 21, 2015

Sueño Con Serpientes

 Sueño con serpientes
Con serpientes de mar
Con cierto mar, ay
De serpientes, sueño yo
Largas, transparentes
Y en sus barrigas llevan
Lo que puedan arrebatarle al amor

Oh, la mato y aparece una mayor
Oh, con mucho mas infierno en digestion

No quepo en su boca
Me trata de tragar
Pero se atora
Con un trebol de mi sien
Creo que esta loca
Le doy de masticar una paloma
Y la enveneno
De mi bien

Oh, la mato y aparece una mayor
Oh, con mucho mas infierno en digestion

Esta al fin me engulle
Y mientras por su esofago paseo
Voy pensando en que vendra
Pero se destruye
Cuando llego a su estomago
Y planteo con un verso
Una verdad

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Mercedes Sosa

DANO EXISTENCIAL

Trabalhadora que cumpria jornada de 13 horas diárias deve ser indenizada por dano existencial
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Uma ex-empregada da rede de supermercados Walmart deve receber indenização de R$ 10 mil por dano existencial, devido à jornada de trabalho exaustiva que lhe era imposta.

Conforme informações do processo, que também envolve outros pedidos, a reclamante cumpria jornadas de 13 horas diárias, com 20 minutos de intervalo, em seis dias da semana (inclusive feriados).

No primeiro grau, essa indenização foi indeferida. O juízo da 29ª Vara do Trabalho de Porto Alegre entendeu que o pagamento de horas extras já era suficiente para compensar a trabalhadora pela jornada estendida. “Ao contrário do que ela sustenta, é entendido que o acolhimento do pedido de indenização por danos existenciais não decorre da exigência de prestação de trabalho em horário superior ao inicialmente contratado, pois para indenizar a sobrecarga de trabalho há indenização constitucionalmente tarifada, consistente no acréscimo de 50% sobre o valor da hora normal. A exigência de prestação de horas extras, por si só, não caracteriza dano moral apto a gerar reparação”, cita a sentença.

Insatisfeita com essa decisão, a empregada recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS). A 2ª Turma Julgadora deu razão à autora. Para os desembargadores, ao submeter a empregada a jornadas extensas, a empresa pôs em risco a saúde física e mental da trabalhadora, não bastando apenas o pagamento de horas extras. “O cumprimento de expedientes longos e exaustivos, além de consumir por completo as energias da empregada, acabou por tolher a autora do convívio familiar e social, em franca violação ao direito constitucionalmente garantido ao lazer”, destaca o relator do processo na 2ª Turma, desembargador Alexandre Corrêa da Cruz. Conforme o magistrado, a limitação da duração do trabalho é uma medida de higiene e segurança, com o fim de preservar a higidez física e psíquica da trabalhadora. Assim, no seu entendimento, não é aceitável o cumprimento habitual de jornada laboral em número de horas equivalente ou superior ao que o legislador, no caput do art. 59 da CLT, pretendeu fixar como o teto máximo para situações extraordinárias. “In casu, tenho por configurado propriamente um quadro de exigência de trabalho acima das forças da reclamante. Entendo, portanto, não se resolver a questão apenas no pagamento de horas extras, sendo devida à autora indenização pelo efetivo abalo moral e psíquico sofrido, em face da jornada de trabalho extenuante a que a trabalhadora estava submetida”, conclui o relator. A indenização por dano existencial foi fixada em R$ 10 mil. O voto do relator foi acompanhado pelos demais integrantes da Turma, as desembargadoras Tânia Regina Silva Reckziegel e Tânia Rosa Maciel de Oliveira.

Cabe recurso ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Processo nº 0001643- 50.2012.5.04.0029

Fonte: Carine Bordin e Gabriel Borges Fortes (Secom/TRT4). Fonte: Revista Eletrônica nº 178

quarta-feira, maio 20, 2015

Em nome de Cristo, fazemos tudo o que Cristo condena. Condenando Maomé, fazemos tudo o que Maomé prega.

Tantos textos, tantas leituras nas diferentes versões da mídia ocidental-dominante. Caio numa profunda introspecção, sofro com o que vejo. Sinto-me deslocado. Hoje, pelo face, uma amiga escreveu o que ela entendia sobre Deus e pediu minha opinião. Notei que ela tem uma visão bem panteísta e me parece mais próxima do Budismo do que a visão evangélica, sua religião. Aliás, noto como as igrejas neopentecostais formam mal seus membros. 

Os avanços científicos e tecnológicos de nossa era, ao invés de conduzirem o mundo para um processo de liberdade, de paz, de luzes, conduzem tudo para o mais cruel obscurantismo. 

Vivo sem fé no futuro e sem sonhar perspectivas de paz. Sou ocidental, mas vivo em descompasso com o ocidente. O conflito cristão x islã vai recrudescer. As cenas de jovem americanos festejando a morte de Osama Bin Laden demonstram bem o espírito de vingança que paira no mundo. De nada adianta o combate aos supostos barbarismos dos guerreiros do islã, se agimos do mesmo jeito, até pior na medida em que fomentamos o terrorismo de Estado. Eles são o terrorismo de grupos e células.

Em nome de Cristo, fazemos tudo o que Cristo condena. Condenando Maomé, fazemos tudo o que Maomé prega.

 
Do cerco de Viena, ao meu ver o mais clássico exemplo de um conflito entre dois "mundos", duas vivências, duas culturas distintas, até o atentado ao WTC e o assassinato de Bin Laden, nada mudou. Doravante, todos os discursos da lógica cristã e ocidental, será tratar os islâmicos como sinônimo de diabólicos e o imperialismo americano e europeu continuará massacrando, espoliando, roubando, matando, oprimindo o mundo árabe, com seu domínio tecnológico, científico, "cultural" e "civilizado".

Quando eles esboçam alguma reação contra nossa dominação, no desespero fatal para chamar a atenção do mundo para a espoliação cristã e ocidental nos países islâmicos, armamo-nos de discursos evangélicos, pudorentos, biblícos e tudo mais, condenando a reação dos oprimidos. Não os tratamos com dignidade, não os tratamos como irmãos e nem como filhos do mesmo Deus. Pelo contrário, queremos impor a eles o nosso Deus, o nosso modo de vida, os nossos valores, o nosso Cristo estilizado, renascentista e de olho azul.

O que mais revolta é que somos uma sociedade bestializada, não lemos, raríssimas pessoas em nossa sociedade sabem o que realmente acontece com os palestinos e como se dá a espoliação européia e americana sobre suas cabeças, o opressão a que os EEUU os submetem, e ficamos apenas repetindo as notícias manipuladas com a versão que as agências desses países dominantes nos apresentam. E estufamos o peito, em nossa santa ignorância, apresentando até bandidos locais como paradigmas de mártires, como se os heróis e a luta deles não tivessem sentido nenhum para nós e como se eles fossem bandidos que praticam o banditismo pelo banditismo.

O que poucos se atentam é que esse conflito cristão x islã tem muitos vieses. Um deles, é a manutenção do status quo de uma oligarquia ocidental que precisa do conflito, seja para manter a indústria bélica em alta, o controle do petróleo,  suas pretensões de dominação sobre os povos do planeta e o incremento do domínio científico e tecnológico.

O que poucos atentam é que nesse conflito cristão x islã, rasgamos os pressupostos da doutrina cristã. Jesus Cristo jamais apoiaria essa carnificina. Rasgamos o diálogo, rasgamos as tentativas de paz em busca de uma reeleição, rasgamos a paz em nome do controle dos poços de petróleo árabes.

O que eu tenho dito pode parecer um grande absurdo, mas eu insisto. Enquanto Cristo e Maomé não buscarem a Deus o mundo seguirá sua destruição, a matança, as guerras e viveremos um eterno tormento, um eterno conflito. A paz mundial precisa de uma alternativa, onde os Cristãos precisam reconhecer que Cristo não é a verdade absoluta e os islâmicos precisam reconhecer que Maomé não é a verdade absoluta. Ambos são verdades relativas e ambos precisam dar as mãos para chegarem a Deus.